

Aos 19 anos, Sophia Cotrim levou uma pesquisa sobre cinema, memória histórica e direitos humanos a Genebra, após ser selecionada pelo Instituto Diplomun em um processo nacional. A trajetória da estudante também evidencia a importância da formação acadêmica e das experiências que começam ainda na escola.
Aos 19 anos, Sophia Cotrim, estudante de Direito da UNEF e ex-aluna do Colégio Nobre, em Feira de Santana, conquistou destaque no cenário acadêmico nacional ao ser selecionada como a única representante da Bahia entre 20 pesquisas escolhidas pelo Instituto Diplomun. Em outubro, a universitária participou de uma programação científica e diplomática em Genebra, na Suíça, onde apresentou um estudo sobre as relações entre cinema, memória histórica, democracia e direitos humanos.
A conquista representa um passo importante na trajetória acadêmica da estudante, que levou ao ambiente internacional uma pesquisa sobre um dos períodos mais marcantes da história brasileira: a ditadura civil-militar. A partir da análise de uma produção cinematográfica inspirada em acontecimentos reais, Sophia investigou como a arte pode contribuir para preservar a memória coletiva, ampliar o debate sobre violações de direitos fundamentais e fortalecer a compreensão sobre a democracia.
A experiência também proporcionou contato com instituições e representantes internacionais, ampliando as perspectivas de uma jovem que está nos primeiros anos de sua formação em Direito. Para além da apresentação do trabalho, a participação em Genebra permitiu à estudante acompanhar discussões sobre temas globais e conhecer de perto espaços de diálogo diplomático.
Intitulado “Brazilian Cinema and the International Dissemination of Historical Memory: Eunice Paiva’s Story in I’m Still Here and the Human Rights Violations of the Brazilian Military Dictatorship”, o estudo analisa como o cinema contribui para a disseminação internacional da memória histórica brasileira.
A pesquisa toma como ponto de partida o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e inspirado na história de Eunice Paiva e de sua família. A partir da obra, Sophia examina como narrativas cinematográficas podem manter vivos acontecimentos históricos, aproximar novas gerações de episódios do passado e estimular reflexões sobre justiça, direitos humanos e preservação democrática.
“Minha pesquisa parte da reflexão sobre como o cinema contribui para a construção da memória coletiva. A partir do filme Ainda Estou Aqui e da história de Eunice Paiva e Rubens Paiva, busco compreender como essas narrativas nos ajudam a manter viva a memória das violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura civil-militar brasileira. Conhecer e lembrar esse passado é fundamental para fortalecer a democracia e para que episódios como esses nunca sejam esquecidos nem se repitam”, explica a estudante.
A escolha do tema dialoga diretamente com questões presentes na formação jurídica, como a proteção dos direitos fundamentais, a responsabilidade do Estado e a importância das instituições democráticas. Ao levar essa discussão para um espaço internacional, a universitária também demonstrou como diferentes áreas do conhecimento podem contribuir para a compreensão de questões sociais e históricas.
A chegada à Suíça foi resultado de um processo seletivo nacional e de uma etapa de preparação que exigiu dedicação à pesquisa e aos conteúdos propostos pela organização. Depois de receber a confirmação da aprovação, Sophia iniciou uma fase de estudos, definição do tema e participação em aulas formativas disponibilizadas pelo Instituto Diplomun.
“Quando eu vi que eu passei, eu percebi que era hora de agir. Então, veio a decisão do tema, as aulas que eles disponibilizaram para a gente, foi muito interessante”, conta.
Segundo a estudante, a preparação incluiu conteúdos relacionados à geopolítica e orientações de mentores, tutores e diretores, que compartilharam conhecimentos e experiências sobre diferentes países e o cenário internacional. Esse processo contribuiu para aprofundar os conhecimentos necessários ao desenvolvimento da pesquisa e para prepará-la para as discussões realizadas durante a programação.
Em Genebra, a agenda incluiu uma visita ao Palácio das Nações Unidas, o acompanhamento de debates e atividades de comitês da Organização das Nações Unidas (ONU) e encontros com representantes de diferentes países e organismos internacionais.
Entre os momentos da experiência, Sophia conversou com Tatiana Valovaya, diretora-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra, e teve contato com representantes diplomáticos, incluindo embaixadores do Tajiquistão. Também conheceu lideranças ligadas a instituições como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao todo, 14 artigos científicos foram apresentados durante a programação, incluindo trabalhos de participantes que não puderam comparecer presencialmente. A pesquisa de Sophia também foi publicada com ISBN, identificador internacional utilizado na catalogação de publicações.
Embora a conquista tenha como destaque a experiência universitária e internacional, Sophia reconhece que parte dos conhecimentos que contribuíram para essa caminhada foi construída antes mesmo de ingressar no ensino superior.
Ex-aluna do Colégio Nobre, a estudante recorda especialmente as aulas de Geografia do professor Bruno, cuja contribuição voltou à memória durante a preparação para a experiência na Suíça. Ao se deparar com conteúdos relacionados ao cenário internacional, ela identificou conhecimentos adquiridos ainda na educação básica que ajudaram a compreender melhor os assuntos abordados.
“Queria dar um adendo aqui, homenagear o meu professor Bruno de Geografia do colégio, porque muitas das coisas que eu tinha nessas aulas, eu já sabia muito por causa dele. Hoje em dia, eu sou universitária, mas ainda tenho muitas memórias de Bruno, das aulas de Bruno, e eu guardo para a minha vida. Eu lembrei muito dele nesse processo”, relata.
A lembrança reforça como a formação educacional é construída ao longo de diferentes etapas e como as experiências escolares podem continuar presentes na vida acadêmica. Para Sophia, reconhecer essa contribuição também significa valorizar os profissionais que participam do desenvolvimento dos estudantes.
“Eu acredito que a gente tem que valorizar muito nossos professores durante todo o processo acadêmico”, afirma.
Aos 19 anos, a estudante amplia sua trajetória ao apresentar uma pesquisa brasileira em um ambiente científico e diplomático internacional. Sua conquista evidencia o potencial de jovens universitários para participar de debates relevantes além das fronteiras nacionais e mostra como o interesse pela pesquisa pode abrir caminhos para novas experiências de aprendizagem.
Entre a formação jurídica, a investigação científica e os conhecimentos que carrega desde os tempos de escola, Sophia constrói uma trajetória marcada pela busca de conhecimento e pelo interesse em questões que ultrapassam os limites da sala de aula. Em Genebra, levou sua pesquisa ao debate internacional e deu mais um passo na construção de seu percurso acadêmico.
O processo seletivo está encerrado no momento.